Premiados - 11ª Edição – 2006/07
Grupo A | Grupo B | Grupo C
| Grupo D | Grupo E |
Grupo H
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Grupo A |
alunos do 1º ciclo |
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1º lugar
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Henrique Cravo Esteves dos Santos – 9 anos (4º ano – Escola E.B
1 de Montes Claros)
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Poema «Se eu fosse uma palavra»
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SE EU FOSSE UMA PALAVRA
Se eu fosse uma
palavra
Podia ser casa ou dedo
Algarve, borracha,
Papel ou rochedo.
Poderia ser gato
Caneta ou morder
Lápis ou estojo
Caderno ou viver.
Mas a palavra
Que eu queria mesmo ser
Era liberdade
Porque é a que eu mais gosto de ver.
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Menção Honrosa |
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Tânia Sofia Lapas Domingues – 9 anos (4º ano – Escola E.B 1 de
Montes Claros – Agrupamento Martim de Freitas – Coimbra)
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Poema «Se fosse um livro» |
SE FOSSE UM LIVROSe fosse um
livro
Talvez andasse
Na mochila de um menino
Ou na biblioteca da casa do senhor José.
Se fosse um livro de poesia
Toda a gente me lia.
Se fosse um livro de prosa
Toda a gente começava com a tosse grossa.
Se fosse um livro de banda desenhada
Toda a gente se ria à gargalhada.
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Grupo B |
alunos do 2º/3º ciclo |
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1º lugar
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Inês Pinto Seixas – 13 anos (8º ano – Escola E.B 2,3 André
Soares)
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Poema «As Caixas»
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As caixas
As folhas
As velas
As tintas
As recordações
Guardo-as num cantinho bem pequenino
Numa arca.
Ao passar a cortina
Encontro-me.
Vejo espelhos a reflectirem-me e sinto que existo
Vejo as coisas brancas puras e belas.
Vejo as coisas em harmonia
A receberem-me calorosamente
E percebo que quando penso que não há razão para existir
O meu mundo está pronto a receber-me
E embala-me como uma mãe
E beija-me com ternura e paz
E adormeço...
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Menção Honrosa |
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Ana Teresa Soares Salgueiro – 11 anos (6º ano – Escola E. B 2,3
Professor Agostinho da Silva – Casal de Cambra)
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Poema «Lua Majestosa» |
LUA MAJESTOSAEspreito a lua
Redonda e serena
Imagino no céu
Uma fada pequena
Concede-me um desejo
Nesta noite de luar
Peço-lhe um amigo
Para comigo dançar
Giramos sem rumo
Soltamos uma gargalhada
Abraçamo-nos com força
Agradecemos à fada
Despeço-me da lua
Linda e majestosa
Espero outra noite
Adormeço ansiosa.
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Grupo C |
alunos do Ensino Secundário |
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1º lugar
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Adriana da Silva Falcão Pires – 15 anos (10º ano – Escola
Secundária José Macedo Fragateiro - Ovar)
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Poema «Retrato de um sorriso adormecido»
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RETRATO DE UM SORRISO ADORMECIDO
Dormita incauta à
beira-rio
Espera, qual épica Penélope.
Estremece-lhe o corpo num arrepio,
A brisa morna que a quietude envolve.
Seus dedos repousam num manto de cristal,
Corrente macia de água estival.
Vigia do alto dos seus
sonhos, o espírito em parte incerta,
O Mundo que descobriu de olhos fechados.
Responde ao apelo que lançou desperta
De não esmorecer, proscrita da vida.
Respira cor, corre mares, sorve o vento flamejante
É um sorriso sem rosto, euforia incessante.
Do inerte corpo
largado às mãos da terra materna
Só os cabelos esvoaçantes transparecem
A fuga da espera que se vai tornando eterna.
Dormita incauta à
beira-rio,
Alheia ao tempo que a devora.
Uma mão segura o futuro,
Da outra pende o agora.
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Menção Honrosa |
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João André Grácio Alberto – 17 anos (12º ano – Escola Secundária
de José Falcão - Coimbra)
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Poema «Os pássaros em bando» |
Os pássaros em bando
Levantaram-se cedo com os seus bicos unívocos
Apontando a direcção ao incerto.
Tonitruante, a coragem de agarrar o
nada com os dentes,
Envolvê-lo tridimensionalmente com braços infinitos,
Beijar a sua nuca sem afecto
Perder os sentimentos no seu vazio
E viajar de neurónios ao vento...
(Talvez quando cometas brotarem
Dessa amálgama de gravilha despojada;
Há que confiar nas probabilidades
Das probabilidades falharem…)
Por enquanto, um céu plangente
A dilacerar por facas de peixe.
Um passeio por salas de espelhos;
Perfilhando pares de olhos desertos,
Andares cambaleantes,
Mãos livres à espera de um aconchego.
Ainda um esforço de guelras
Contra a corrente vigente...
Vão.
Hoje, passei o dia todo a perdê-lo,
Trepando Eras de muros inconstantes,
Que o teu nome, esse,
Havia ficado numa outra qualquer estante.
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Grupo D |
alunos do Ensino Universitário |
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1º lugar
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Ana Luísa Ferreira de Pinho – 21 anos (4.º ano do curso de
Ciências da Comunicação – Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas – Universidade Nova de Lisboa)
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Poema «Eco»
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ECO
A nudez do sorriso
espreita por entre os lábios
fechados com a tua ausência.
Os fios de sol mudaram
de casa
e as paredes despidas do pronome
encerraram a separação dos corpos.
Mas a noite não ampara
o cheiro a solidão
e a tua casa continua aqui
vazia,
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Menção Honrosa |
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Marco André dos Santos Martins – 21 anos (1º ano da licenciatura
de Marketing e Publicidade – IADE, Instituto de Artes Visuais,
Design e Marketing)
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Poema «Medo Solitário» |
Medo de me enclausurar num universo vazio, de palavras simbólicas
sem nexo... Terror de sentir passos de solidão mórbida a
rastejarem numa angústia desmedida... A resposta revolucionária
de alguém que se sente surge sempre na eternidade! Imagina que o
mundo chama por ti, escutas uma espécie de sirene irritante que
capta as tuas sensações inquietantes, sentes um arrepio
assombroso e olhas á tua volta, segues o teu caminho cumprindo
as regras seguras impostas na convenção artificial que
representas, entras num mundo obscuro onde te sentes em comunhão
com a paz. Vinda de um nada, a tristeza chegou, depois instalou-se
sem atribuir motivos, razões. Senta-te! Olha para ti de uma
forma tema, piedosa e mantém um silêncio divinal que te deixa em
plena confusão sentimental, surge um aglomerado emocionante de
nível superior. A tristeza chora, rios de água quente que vão
desaguando segundo após segundo num chão que não se
surpreenderia com a novidade, recebia com amizade mais uma de
uma infinidade... com simpatia abraçava-as como sempre o fez e
divinalmente encharcava¬-las, tomando-as parte de um só elemento,
aceitando-as. Do outro lado, brilha um olhar, escuta-se um ritmo
cardíaco acelerado ao som da batuta, o ar congela... levantas-te,
corres em direcção a uma parede branca, lanças as tuas mãos na
sua direcção, fechas os olhos com firmeza e convicção, a
tristeza segue-te... dissolve-se em ti e une-se ao teu espírito,
alma que amarguradamente chora em comunhão com a paz. Como um
corpo morto deixa-se cair no imenso chão que é seu, e descansa
na imensa paz, dorme como um anjo caído dos céus, de frágil
aparência mas de espírito enorme...
Nas ruas amarguradas da vida á sempre uma tristeza que vagueia por
aí e que nos consome., não me importa que não te dêem atenção,
não me importa que não te vejam chorar, não me importa! Dar-te-ei
a minha mão... fecha os olhos por instantes de forma segura, não
tenhas medo.
Não voes alto, levarias tudo de meu contigo!
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Grupo E |
docentes |
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1º lugar
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Sónia Cristina Pereira Quental – professora de Português
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Poema «torturei oráculos obriguei destinos persegui profecias»
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Torturei oráculos obriguei destinos persegui profecias
desesperando
de ver o teu nome em mensagem (con)sagrada
a salvação numa certeza, ainda que fraca
Nenhum nome porém se
ofereceu à minha sede
estou ao teu lado e logo dançamos
Sofro por não saber
pela tua delicadeza
não esculpida
inconsciente de si
de mim,
que nunca amei pessoas boas
Sofro por não
saberes
e ainda este encontro não ser possível
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Menção Honrosa |
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Dora Maria Nunes Gago (Escola E.B 2,3/ S Dr. Isidoro de Sousa –
Viana do Alentejo)
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Poema «Alentejo» |
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ALENTEJO
O nosso reino
é feito de silêncio
duma planície
ancorada
no dorso do tempo,
duma solidão caiada
pelos dedos do vento.
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Grupo H |
cidadãos de países de Língua Oficial Portuguesa |
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1º lugar
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Poema «As balizas do tempo»
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AS BALIZAS DO TEMPO
O tempo que há de vir
não te pertence
E sobre o que passou já não tens mando.
Não podes decidir o fator quando,
Deixa que a vida guarde o seu suspense.
Homens sensatos
geralmente abstêm-se
De assaltar o futuro, profanando-o,
Ou andar no passado (como eu ando!),
Pois as fímbrias do tempo ninguém vence.
As idades e as eras
não têm donos,
São os deuses que as guiam, é deus Cronos
Que pune quem transpõe os seus umbrais.
Ele vai te
abençoar a cada dia
Contanto que tu vivas, todavia,
O ciclo pré-traçado dos mortais.
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Menção Honrosa |
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Morvan Ulhoa de Faria
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Poema «Baco desenhou o nordeste português» |
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BACO DESENHOU O NORDESTE PORTUGUÊS
videiras grávidas
descem escarpas
e contornam o dorso feminino do Douro
lâminas de xisto
expostas e sobrepostas
vazam a pele da terra
e delatam a idade do tempo
o rio taninoso
e calmo
lava os pés senis das colinas nuas
e segue adstringente até o sumidouro
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